quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Quem explica Jonas?

Vejam o que é a natureza. Jonas, que já foi “o pior atacante do mundo” está a um gol de igualar a marca do centroavante Jardel, um dos maiores ídolos da torcida gremista, e a 11 de se tornar um dos cinco maiores da história do Grêmio. O atual artilheiro do brasileirão, embora tenha vestido apenas uma faixa (a de campeão gaúcho deste ano) tem 64 gols pelo clube. Como diria Cléber Machado, “pode Arnaldo?”.

Não há torcedor do Grêmio que seja fã do Jonas. Pelo contrário, é um atacante mais acostumado a conviver com vaias do que com aplausos. Mas já tem 64 gols na conta, e alguns muito bonitos inclusive. Tem 12 neste brasileirão, a mesma quantidade que fez de Jardel artilheiro da Libertadores de 95, conquistada pelo tricolor. Isso ajuda a entender os pesos e as medidas do futebol.

Para quem não lembra, o rótulo de “pior do mundo” foi dado por um jornal espanhol após um gol inacreditavelmente perdido por Jonas na Libertadores de 2009. Sem dúvida, um exagero. Mas Jonas entrar para a galeria dos maiores artilheiros gremistas parece-me outro ainda maior. É preciso que ele pare de fazer gols!

Brincadeiras à parte, é certo que Jonas não marcará época no Grêmio. A falta de títulos, se não o condenar ao ostracismo, fará com que não seja lembrado com carinho pela gerações futuras, que conviverão mais com os relatos do que com a memória. Ninguém falará de Jonas, mas ele será um dos cinco maiores goleadores nestes mais de cem anos do clube. E nem seus netos irão acreditar.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Por aqui, deu Serra

Tendo o candidato José Serra (PSDB) recebido 19 de um total de 37 votos na urna eletrônica deste blog, as eleições presidenciais do Andreinews registram a vitória do tucano no 1º turno. Marina Silva (PV) ficou em 2º lugar, com oito votos, um a mais do que Dilma Rousseff (PT).

O Andreinews deseja melhor sorte para as candidatas da próxima vez, e um bom governo ao candidato eleito pela maioria. É a festa da democracia!

E o blogueiro aceita sugestões para novas enquetes.



terça-feira, 21 de setembro de 2010

Argumentos encalhados

Tenho uma série de frases que deveriam ser o argumento para novas postagens para este blog, mas que, por diversos motivos, encalharam. Algumas delas, achei que valia a pena registrar. Ei-las:

- Qualquer pessoas do sexo feminino que prefira Rolling Stones a Beatles é forte candidata a alma gêmea deste blogueiro.

- Às vezes, de tão egoísta, não compartilho nem minha companhia.

- A melhor frase que li na última semana: "O jeito que tratamos o cachorro é o modo como reagimos à nossa infância. O jeito que tratamos o gato é o modo como entendemos a velhice"(Carpinejar)

- Paradoxo: morar fora da cidade natal é ótimo, mas o melhor ainda é poder retornar sempre. E a cada retorno, o pior é se despedir.

- Paradoxo dois: não tenho nada contra as feias, mas só tenho amigas bonitas.

- 10 funks para animar sua festa (pedido das amigas leitoras Cláudia e Karina)

- Se formar é, de uma hora para outra, não ser mais estudante, nem estagiário. Sendo assim, como sentir-se jovem?

- A melhor frase que li nos últimos meses: “Os homens feios, ou supostamente feios, costumam ganhar a vida – e quiçá as fêmeas! – por pontos, jamais por nocaute, como ocorre com os bonitões da praça” (Xico Sá)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Breve retorno à infância

Sem o menor pudor, roubei a história abaixo do blog da amiga e colega Cathierine Hoffmann. Foi postada dias atrás no seu cathierineh.wordpress.com, blog que leio com a mesma frequência com que dividia com a Cathi uma mesa do Fratello ou do Alemão, lancherias da Unisinos.

Como achei a história ótima, e acredito que os amigos leitores vão concordar, parece-me justo compartilhar deste momento de tamanha inspiração do grande Maurício de Souza. Sempre achei que a Turma da Mônica ensina os princípios.


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Cartas de Bento n.2

A vida noturna diz muito sobre a qualidade de vida que qualquer cidade oferece. Não adianta ter índices altíssimos de IDH e uma expectativa de vida igualmente alta se não há diversão à altura de tanto tempo para viver.

Não exijo de uma cidade uma vida noturna muito movimentada e incontáveis opções de lazer. Basta ter dois ou três lugares aos quais eu possa me fidelizar enquanto cliente, como em São Leopoldo, onde ia quase sempre ao Favorité, embora houvesse outros lugares bacanas. Sou daqueles que faz amizade com o garçom, que gosta de rever pessoas e tem no bar uma espécie de pequena comunidade, onde não é preciso conversar com todos, mas é bom saber que eles estão sempre ali.

Neste fim de semana, aproveitando a ocasião da visita do amigo e ex-colega Rafael Butigahn, vindo direto de Maceió, aproveitamos uma folga na agenda de trabalho – ele, também jornalista, veio cobrir um evento para o sindicato em que trabalha em Maceió – para fazer o sacrifício de desbravar o cenário de bares e casas noturnas de Bento Gonçalves, buscando encontrar este lugar que possa se tornar minha segunda casa por estas bandas.

Dizem vozes experientes da cidade que o Bangalô, do lado de onde trabalho, é “coisa fina”. mas não chegamos a conferir. Preferimos o lado de Bento onde se concentra a maior parte dos bares. E, dos que testamos – na ordem e na vizinhança: Buteco Sports (superlotado), Bar do Alce (bacana, bem rock n’ rol), Beer House (calminho, mais pra happy hour) e Ferrovia Cult -, este último pode ser considerado, de longe, o melhor.

O lugar é pequeno, mas bem espaçoso, e tem diferentes ambientes: um espaço para shows, outro com mesas, estilo pub, um mezanino e uma área na rua, pra pegar um ar. Pessoas levemente bêbadas, em geral, cervejas variadas, o som ambiente bacana e os preços honestos são importantes pontos favoráveis. Pode que a primeira impressão tenha sido errônea e o bar não seja assim tão legal. Mas, sendo otimista, acho que já não sou um boêmio sem lar em Bento Gonçalves.

O ainda sóbrio amigo Rafael

Interior do bar (peguei no Google)

A fachada do simpático Ferrovia

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Sutilezas da mulher

Que homem nunca conheceu uma mulher que exibisse na voz a sua maior beleza? Conheço tantas, que não penso em nenhuma específica neste momento. Mesmo mulheres que são lindas sob todos os aspectos tornam-se realmente irresistíveis ao oferecer um singelo “oi, tudo bem?”.

Certas mulheres têm no abraço seu melhor predicado. São cheirosas e abraçam com vontade, quer seja um abraço de noite inteira ou um “oi, tudo bem?” casual. Essas que conquistam pelo abraço raramente sabem o poder que têm em seus braços e mãos. E a todos abraçam, a todos conquistam.

Muitas mulheres têm na panturrilha toneada um quê de sensualidade. Por mais que falemos de bundas, coxas e seios, jamais desprezei um sinuoso par de batatas-da-perna. Nada de muito musculoso, diga-se de passagem, mas que marque siginificativa presença entre os joelhos e as canelas.

Há mulheres que têm a ironia como dom maior. E que mulheres de valor são essas, que sabem fazer da fina ironia seu instrumento de dominação do mundo e dos homens. Creio que não saberia viver com uma mulher que não saiba fazer uso, de vez em quando que seja, dos refinamentos da piada irônica, sutil, não de fazer gargalhar, mas de sorrir em aquiescência.

Há mulheres que sorriem lindamente; outras que bocejam graciosamente; conheço algumas que se tornam belas quando estão de óculos e diversos exemplos de mulheres que cujo maior charme está na vida caseira e discreta, enquanto me identifico muito com outras pelo apego à boêmia.

Não estou falando de atributos necessários a uma bela mulher. Não chega a tanto. O que exponho acima são alguns acessórios, complementos, detalhes periféricos de uma mulher. Sutilezas de personalidade ou de traços físicos, qualidades nem sempre à mostra. Mas que ainda assim, podem fazer toda a diferença.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Mesmo as melhores bandas...

...têm algumas músicas, entre as mais conhecidas, que eu realmente não gosto. Por exemplo:

Rolling Stones - Brownsugar

Led Zeppelin - Communication Breakdown

Rage Against The Machine - Bullet in the Head

Aerosmith - Dream On

AC/DC - Thunderstruck

The Doors - People Are Strange

Eric Clapton - Tears in Heaven

Guns N' Roses - Yesterdays

Mas são apenas exceções que confirmam a regra de serem todas bandas incríveis.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Cartas de Bento n.1

Bento Gonçalves é, antes de tudo, uma cidade bonita. Bem como a maioria das cidades serranas, em especial Gramado e Nova Petrópolis, pelo que a memória me permite comparar. Apesar da colonização diferente (lá alemães, aqui italianos), esteticamente, Bento lembra bastante estes municípios. Com a diferença (vantagem, talvez) de ser maior, de oferecer tudo o que uma cidade grande oferece.

A avenida principal é composta por algumas pracinhas simpáticas, onde, após o almoço, as pessoas se espalham pelos bancos, pegando um sol e conversando, ou então ficam a entrar e sair das lojas que circundam a avenida. Pessoas estas que, em sua maioria, são receptivas, não negam uma informação a um forasteiro, e até a oferecem com invariável sorriso no rosto. Pessoas que gostam de viver aqui, e parecem querer que todos se sintam bem em sua cidade.

Nos primeiros dias por aqui, como era de se esperar, bateu uma saudade de tudo o que vivia em São Leopoldo, uma época que, como todas as outras, se foi. Saudade do campus da Unisinos, do gatinho Jabulânio, da padaria próxima à estação onde virei freguês e amigo, das vizinhas loiras e gêmeas que me confundiam a cada vez que cumprimentava uma delas (pois, nos primeiros meses, só uma me cumprimentava de volta).

Pra não dizer que tudo são flores, é preciso dizer que estava certo quem me falou que Bento era uma verdadeira montanha-russa. Você está sempre subindo ou descendo alguma rua, nunca andando em terreno plano. Como não podia ser diferente, a sensação é de que, para os trajetos diários deste blogueiro, sobraram as subidas maiores e mais íngremes. Mas sendo otimista, pode ser a oportunidade de perder alguns dos quilos acumulados nos últimos anos.

Ainda não será este meu primeiro fim de semana por aqui. Nesta sexta, vou a São Chico, a trabalho, unindo o útil ao agradável de voltar ao lar. Talvez um fim de semana em Bento seja um bom motivo para escrever a carta nº 2.


Avenida principal de Bento, por volta das 13h.

Outro ponto da avenida principal, com um menino gordinho vindo em minha direção

Chafariz de vinho em frente à Prefeitura.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Enquete 1 - Qual seu texto preferido?


Temos um vencedor

Abaixo, anuncio o corajoso vencedor da primeira enquete deste blog. O texto A Mulher Perfeita, que teve 33% dos votos, foi concebido originalmente no meu celular, como várias mensagens de texto, e apenas transcrito para o computador depois, praticamente sem retoques. Só então foi publicado no Portal3, quando este blogueiro estagiava pelas bandas da Unisinos, em 2009. Ei-lo:

A mulher perfeita

A mulher perfeita alia beleza, inteligência e simpatia. Nada mais, embora não seja pouco. Há a que se aproxima da perfeição. É a mulher que, com inteligência, sabe fazer da simpatia a sua beleza.

A mulher perfeita não precisa ser a mahis bela, a mais simpática, a mais sábia. Por ser inteligente, sabe que os excessos a prejudicariam. Que a simpatia em excesso é pouco inteligente, e vice-versa E mesmo a beleza em excesso tende a ser pouco simpática.

A mulher perfeita é espirituosa. Rio muito ao lado dela. A ironia poderia ser um quarto elemento necessário à perfeição, mas prefiro considerá-la um produto da inteligência. Bela, inteligente e simpática, a mulher perfeita é pouco afeita ao não. Só um homem à beira da infantilidade lhe diria não, mas ela tampouco tem algo a pedir do homem infantil.

Poderia chamá-la de mulher ideal, de mulher dos sonhos. Mas são definições que carregam um sentido de distância, o que não é o caso. A mulher perfeita não está longe. Sequer deve haver vida longe dela. Se há, é com tristeza que me dirijo aos que vivem longe. E digo: Amigos, só a mulher perfeita dá sentido à vida.

A mulher perfeita fala bonito, ri facilmente e, quando necessário, atinge o nobre silêncio com precisão. Quando chega a noite, ela descreve como foi seu dia, e é fácil parar pra ouvi-la. Pois estar com ela é dar prioridade tão somente a ela. É a mulher perfeita. Não tem contra-indicações.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Enfim, a música

Conforme havia prometido, eis aqui neste blog a música que escolhi para embalar a minha caminhada rumo ao diploma (literalmente falando), que me foi concedido pela Unisinos na última sexta-feira, como os leitores já cansaram de saber.

Foi uma escolha difícil, como deve ter sido a de todos os colegas, pois muitas músicas nos marcam ao longo da juventude ao ponto de querermos eternizá-las junto conosco. Mas fui de Night Time (is the right time), do Ray Charles. Por quê?

Não se pode desperdiçar o impacto da introdução. É quase só o que vai se ouvir no pouco tempo entre tirar a foto com o colega chamado anteriormente e a hora de cumprimentar os professores homenageados. Os primeiros segundos têm que ser de intensidade total. Como, acredito, seja oc aso da linha de sax no início de Night Time, que sempre me arrepia.

A música, assim como o próprio estilo do Ray Charles sintetiza um pouco de muita coisa que eu gosto, em termos musicais. Há uma mistura aqui de blues, jazz e rock, quase minha tríade sagrada. Há piano, saxofone, backing-vocals femininos, um vocal estirdente, uma batida dancante. Enfim, poucas das minhas opções preferidas preenchiam tantos requisitos.

No fim, deu a coincidência de o colega Luis Veira, chamado antes de mim, ter escolhido outra música do Ray, a ótima Hit The Road Jack. Sem querer, transformamos parte da formatura em um belo tributo ao grande Ray Charles.

Espero não ter desapontado ninguém. Eis a música:

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Eis os motivos da não-atualização deste blog nos últimos dias

Sexta : Formatura


Sábado: Viva a formatura!
Mas voltaremos!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Trilhas do trem

Tecnicamente, esta quinta-feira é o meu último dia como viajante diário do trensurb. Não posso dizer que sou um velho frequentador do trem, pois os seis meses em que estes vagões, estações, trilhos, assentos e vendedores fizeram parte da minha rotina não chega a a ser "toda uma vida", como se diz.

Dissesse isso, o que sobraria para aquele que têm em si impregnado o cheiro do trem, que viajam há anos e anos, diariamente, e que, por isso, tem mais propriedade para considerar aqueles vagões antigos sua segunda casa do que eu?

Ainda assim, como nutri durante esse tempo algum carinho pelo trem, resolvi listar aqui as 5 músicas que mais ouvi durante as viagens, no MP3 Player. Músicas que ajudaram a encurtar o tempo do trajeto, tornando-o mais divertido e menos cansativo - principalmente nas muitas vezes em que tive que ficar de pé, esperando ou cedendo o meu lugar. Ei-las

1 – Testify, Rage Against The Machine
Ouvir
2 – Boa Sorte (Good Luck), Vanessa da Matta e Ben Harper
Ouvir
3 – Eat The Rich, Aerosmith
Ouvir
4 – Let’s Work Together, Canned Heat
Ouvir
5 – Bala com Bala, João Bosco
Ouvir

terça-feira, 24 de agosto de 2010

É muita modernidade

Os amigos leitores repararam na enquete aqui na barra lateral? É ou não é um sinal da modernidade digital chegando a este blog?

Se a disciplina ajudar, a cada semana entrará uma nova pergunta, seguida de alternativas diversas, para polemizarmos sempre nos limites da civilidade. É interatividade pura.

A primeira, que pergunta aos leitores qual dos textos já publicados aos amigos mais os agrada (ou menos desagrada), deve ficar até o fim da semana. Prometo que a próxima será mais bacana e menos egocêntrica.

Votando e sugerindo novas enquetes, participem!

domingo, 22 de agosto de 2010

Sentimentos mútuos

Saber que a maioria das pessoas de quem gosto também gostam de mim, e geralmente com a mesma intensidade. Nada me é tão valioso. E não sei quanto aos leitores, mas eu mesmo nunca havia parado pra pensar nisso. Talvez porque o mais comum seja assumir como algo natural quando somos o melhor amigo do nosso melhor amigo, por exemplo.

Mas reparemos um pouco no tamanho do privilégio que é essa reciprocidade. Aquelas pessoas por quem temos grande afeição poderiam simplesmente não correspondê-la, sem que fossem culpadas por isso. Porém, felizmente, a regra - quando se trata de família e amigos - é o sentimento ser mútuo. Nutrimos grande amizade de quem recebemos em troca, nutrimos pouco afeto por quem nos dá o mesmo.

Às vezes quase choro de felicidade por perceber que pessoas da minha íntima preferência gostam, se preocupam, se interessam, me aturam. Não lembro de ter em minhas relações pessoais alguém a quem eu silenciosamente quisesse requisitar maior atenção, à altura da que dedico. Isso não é felicidade, pura e simples?

Parece óbvio, e talvez seja, mas como é bom desfrutar da companhia daqueles que gostamos, ou, quando isso é impossível, apenas dos seus sentimentos, quando são mútuos. Se sentir querido por estes que fazemos questão de dividir nosso tempo, humor, dúvidas, gostos, dores, alegrias. Descobri que gosto muito disso.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

No café

Sou fã do Kenny Braga. Jornalista, colorado fanático, um dos comentaristas do ótimo Sala de redação, da Rádio Gaúcha. Não o admiro exatamente por ser colorado, naturalmente, mas pela sua irrestrita habilidade com as palavras. Fala muito bem, tem sacadas muito boas , um humor fino e muita sensibilidade.

Ontem à tarde, no café em frente à porta de entrada da rádio, enquanto comia uma passoquinha escorado no balcão, tive o prazer de assistir a um bonito depoimento do Kenny ao jornalista Lasier Martins, que chegava para o seu programa das 14h. Percebi que ele estava emocionado, e vou tentar reproduzir aqui suas palavras, que me comoveram deveras:

“Agora há pouco uma leitora me encontrou na rua, e veio dizer que havia chorado com a minha coluna de hoje (sobre o título do Internacional), me agradeceu por tê-la escrito. E aí eu estava pensando, como vale a pena essa nossa profissão, em que a gente ganha mal, se incomoda quase diariamente, mas por vezes consegue ter compensações como essa. As pessoas se emocionam, e como é bom poder emocionar as pessoas”.

Seu interlocutor apenas concordou, logo o o jornalista desceu as escadas e eu também me retirei. Já era fã do Kenny Braga, e, ao ouvir esse seu relato emocionado, fora do ar, sem a preocupação de agradar a ouvintes ou de fazer média com os colegas, e que vai tão de encontro ao que eu mesmo penso da vida dos cronistas, passei a admirá-lo ainda mais.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

2006 foi bem pior

Poucas horas após o ocorrido, posso dizer que ver o Internacional novamente campeão da América não chega a ser um incomodo para o torcedor gremista. Afinal, nem de longe se compara com o quadro vivenciado em 2006, este sim o desolador ano das primeiras glórias internacionais do colorado.

Em primeiro lugar, nada se compara à primeira vez. E quando o espaço de tempo é curto (quatro anos, no caso), é quase irrelevante se o rival vence uma, duas ou três vezes. Não poderia era ter vencido a primeira! Por isso que em 2006 tudo foi pior, ao mesmo tempo em que para os colorados a euforia foi muito maior, percebe-se facilmente.

Indo além, afirmo que, desta vez, faltou um ingrediente importante no tempero do título: o imprevisto. Em 2006, foi uma surpresa o Inter ter batido o São Paulo no Morumbi. Supresa maior ainda ter vencido o Barcelona, em Yokohama. Mas agora, quatro anos depois, o Inter já chegou à final da Libertadores classificado para o Mundial, e como franco favorito ao título, pela fragilidade do Chivas. Título anunciado, só faltando carimbar, é festa igual para os colorados, mas dor menor para os gremistas.

Em 2010, já aprendemos que a gangorra é uma máxima implacável no universo da dupla Gre-Nal. O azul esteve no alto por 20 anos, agora equilibrou. Acredito que um Inter novamente forte irá forçar o Grêmio a se reerguer. Em 2006 foi assim, e o tricolor chegou à final da Libertadores do ano seguinte. O sucesso de um motiva o outro a se organizar, se superar, buscar ser tão forte quanto. É a lógica da gangorra.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

As 10 do Doors

Os amigos leitores já perceberam que este blogueiro se diverte fazendo listas. E compartilhando seus gostos, suas preferências. De fato, é divertido. E é mais legal ainda quando repercute, os amigos sugerem coisas que ficaram de fora, sugerem outras listas possíveis. São bons momentos deste blog.

Nas últimas semanas, tenho ouvido muito The Doors. Sou fã de The Doors, mas há tempos não ouvia com frequência, diariamente, várias vezes por dia, no computador, no mp3 player ou no aparelho de som. Listar as músicas preferidas, para um viciado em listas, é um caminho natural. Portanto, ei-las:

Riders on the storm
Atmosfera sombria, belos acordes, letra inspirada, tudo aquilo que é o diferencial do The Doors no mundo do rock está nesta música, em que 8 minutos passam voando. Ouvir

Roadhouse blues
Talvez a melhor introdução da história do rock, com a guitarra marcando um riff de blues pra deixar os velhos bluesmen do Mississipi cheios de orgulho do que eles criaram. Ouvir

The Spy
Já citei essa em uma lista anterior, dos melhores blues para o outono do amigo leitor, e não teria por que deixá-la de fora dessa. The Spy é a poesia e a melodia de Jim Morrison atingindo o auge. Uma pena não ter registros ao vivo dela, pelo menos não que eu conheça. Se todas as músicas românticas tivessem a beleza de The Spy, certamente eu seria um amante das músicas de amor. Ouvir

Backdoor Man
Gosto das regravações que a banda fez de clássicos do blues, principalmente os de Willie Dixon. Backdoor Man é um ótimo exemplo, e ficou ótima na voz de Jim Morrison. Nessa letra que fala sobre o "homem da porta dos fundos", gosto especialmente dos versos "Enquanto seu homem come o seu jantar, carne de porco e feijão, eu como mais galinha do que qualquer homem já viu". Ouvir

Spanish Caravan
Destaque para a bela guitarra flamenca de Robbie Krieger, com um riff repetitivo e hipnótico,que criam uma atmosfera incrível. Se fosse um bom violonista, adoraria saber tocar Spanish Caravan. Parece divertido. Ouvir

Yes, the river knows
De todas as músicas melancólicas do The Doors, e são várias (The Crystal Ship, End of the night, The Soft Parade, etc), essa é a que mais me agrada. Atmosfera totalmente depressiva, de ouvir com pena de quem interpreta tanto sofrimento, e o Jim sabia encarnar esse personagem muito bem. Se não conhece, não perca essa. Ouvir

L.A. Woman
Está no último álbum de estúdio do Doors, gravado às vésperas da fatídica ida de Jim Morrison para Paris. Por conta disso, não há registros ao vivo das músicas do álbum L.A. Woman, nem da música de mesmo nome. Mas esta versão de estúdio já dá conta de como os caras estavam no auge quando encerraram as atividades. Ter durado tão pouco foi mesmo uma pena. Ouvir

Love Street
Entre tantas letras que falam de morte, porres infernais, famílias destruídas e outras temáticas pouco sutis, eis uma letra singela, sobre o amor, sobre garota que vive na rua do amor. Não só a letra, mas a melodia vocal e as linhas de teclado são lindas. Ouvir


Maggie M'Gill
Gosto deste blues que fecha o ótimo álbum Morrison Hotel. Direto e simples. Gosto dos blues que o Jim canta com uma voz embriagada, suja, mas visceral. É quando ele se mostra único. Ouvir

The End
É verdade que é preciso paciência para ouvir os 11 minutos de The End, mas depois de passado o primeiro minuto, é difícil não chegar até o fim, sem trocadilhos. Música com ar teatral trágico, muito bem encaixada na trilha do filme Apocalipse Now. E a letra? "This is the end, beautiful friend/ This is the end, my only friend, the end". Ouvir

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Uma passada pelo Grêmio

Sei que o assunto é chato, mas falar do Grêmio também é preciso. Desde o anúncio feito pelo presidente Duda Kroeff, simpatizei com a escolha de Renato Gaúcho como treinador. Não haviam tantas opções disponíveis também. Entre um mar de técnicos medianos, que viesse um com algo a mais, que é a identificação com o clube.

Após a eliminação na Copa Sul-Americana, com as atenções todas concentradas em melhorar no Brasileiro e em preparar um time melhor para 2011, já aponto algumas mudanças que vejo necessárias no Grêmio, algumas pra ontem outras pro futuro.

Não dá pra continuar jogando sem laterais, ou com Edilson e Fabio Santos, o que é quase a mesma coisa. É uma desvantagem muito grande em relação a qualquer outro time da 1ª divisão.
O Inter está mostrando a importância de ter ótimos volantes no time. Que protejam a zaga e dêem qualidade de toque de bola ao meio-de-campo, na saída para o ataque. Ferdinando é o contrário disso tudo.

Jonas é jogador de Gauchão. Mantenham-no para o Gauchão 2011, mas mandem-no embora tão logo a competição termine e contratem um atacante de peso. Não é possível enfrentar adversários como São Paulo, Cruzeiro e Corinthians com Jonas como solução.

Saindo das individualidades, é preciso definir um time titular e mantê-lo jogando, sem invenções. Quando estiver recuperado, Mario Fernandes vai ser o zagueiro pela direita, não o lateral. Dos quatro volantes do grupo, sei que é difícil, mas tem que escolher dois para serem titulares. De preferência, Adilson e Magrão. Fossem todos craques, talvez não precisassem de entrosamento. Mas não são.

Finalmente, e acima de tudo, não percam em casa. Não é muito o que peço. Apenas não percam no Olímpico.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

É necessário conviver?

Nestes últimos dias, tenho passado um bom tempo pensando sobre como o convívio é quase irrelevante para o valor de uma amizade. Chego a apensar que ele depõe contra ela, assim como qualquer convívio diário. O bom relacionamento requer pequenas ausências, requer um pouco de saudade.

Há tempos não tenho convivido com meus melhores amigos, e a tendência é encontrá-los cada vez menos. Espalhamo-nos pelo mundo, e só as conversas virtuais nos mantém informados um sobre o outro. Mas dora o medo de que eles me esqueçam, de resto esta falta não tem sido nada nociva para o sentimento que nutro por eles. Dia desses, travamos uma bela conversa a oito mãos pelo MSN. Ria sozinho, literalmente.

Vivo feliz por saber que tenho amigos, muitos amigos, mesmo quando são escassos os encontros, as conversas, mesmo quando fico desatualizado e não sei onde eles estão, como estão, por que estão. Sabendo que eles simplesmente estão, isso me basta.