domingo, 1 de maio de 2011

Amigos e livros

Faço com os meus amigos o mesmo que com os meus livros. Sei onde posso encontrá-los, mas raramente os procuro. A boa sacada não é minha, naturalmente. É do pensador Ralph Waldo Emerson, um cara de boas sacadas que viveu no século XIX e que, se não atribuísse tanta coisa ao poder divino, seria ainda mais recomendável. Ainda assim, vale a pena ler suas idéias sobre amor, intelecto, autoconfiança e amizade, todos temas e títulos dos seus ensaios.

Sobre amigos e livros, a analogia é perfeita. Pouco folheio meus livros já lidos, mas se me falta algum, não paro de olhar para a estante, sabendo que está incompleta, que um espaço está vazio. Com os amigos, dá-se o mesmo. Não costumo ligar, não costumo visitar, não costumo puxar conversa no MSN. Creio que sou um fiasco.

O importante é o amigo saber que não é por falta de interesse que deixo de procurá-lo. Pelo contrário. Como todos sabem, amo demais meus amigos. É para não me sentir banal que modero o convívio. É para preservar do dia-a-dia, que torna tudo enjoativo, minha voz, minhas palavras e até meu silêncio. É por confiar que não serei esquecido, mesmo que ausente, e talvez seja até melhor lembrado assim. E para ser procurado, também.

Outro componente, não tão poético, é a falta de tempo, de oportunidades de reencontro, que a vida impinge. As amizades praticamente rivalizam como todo o resto da nossa agenda. Estamos sempre mudando, e as mudanças tendem normalmente a separar os amigos, raramente a juntá-los. Seria esse o único lado ruim de mudar? Difícil afirmar, uma vez que a mudança também traz novos companheiros, igualmente necessários.

Finalmente, olhar para a estante de livros faz pensar no tempo que resta para reler todos aqueles que mais me marcaram. Nunca releio, mas sei que sempre há tempo. Além disso, não importa quantos volumes novos irei adicionar, eles estarão sempre lá, bem guardados, assim como os amigos. Para me tornar menos incompleto, e por isso não abro mão deles. Ainda que raramente os procure.

6 comentários:

  1. Nossa, essa analogia livros e amizade ficou ótima! Realmente é assim que me defino também.. Tenho essa semelhança contigo.. Dificilmente eu chamo meus amigos para um chimarrão.. hehe.. Mas sempre acabo recebendo convite.. E não é proposital, mas parece que não gosto de impor minha presença, e dessa forma, não me tornar enjoativa! hehe.. Tem gente que chama de frieza.. Mas não, sou super sentimental.. Mas cuido das minhas amizades a minha maneira!! Amei o texto e me identifiquei!

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  2. Simplesmente perfeita analogia...parabéns Andrei.

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  3. Grande Andrei. Sempre sacando as melhores sacadas... ;)

    Ótimo texto.

    Beijo!

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  4. Obrigado, amigos!

    Com trocadilho e tudo, hein, Camila? Hehehehe

    Cathi, teu comentário é um perfeito complemento ao texto. :)

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