Imagine quatro amigos reunidos. Ele conversam, contam piadas, ouvem música, talvez estejam tomando cerveja. Imagine outros amigos chegando, com um violão para tocar, participar do papo ou apenas dar um oi, porque estavam passando e viram a reunião pela janela. Imagine esse encontro acontecendo toda semana, por duas horas, sempre no mesmo horário. Imagine que isso seja um programa de rádio, em que outros amigos ligam para sugerir músicas, lançar um assunto, entrar nas discussões ou apenas mandar um abraço. Legal demais, não?
Nesta terça-feira, 5 de abril, completam-se seis anos do início de uma das experiências mais memoráveis da vida desta blogueiro: O programa Tomarock, que tive a felicidade de ancorar junto dos amigos Juliano (também aniversariante do dia), Renan e Ricardo (Punk). E tenho certeza que não só os apresentadores, mas também os amigos que viveram aquela história, não esqueceram os pouco mais de seis meses em que o programa esteve no ar na Comunidade FM, de São Chico, sempre nas noites de segunda-feira.

Renan, Juliano e Andrei
Idealizado pelos dois primeiros, eu fiquei sabendo que seria um dos integrantes no dia do programa ir ao ar, quando chegou o Juliano na minha casa, dizendo que às 20h eu teria que estar no estúdio, com no mínimo uma piada pra contar, mas de preferência uma coluna, sobre qualquer coisa. Nasceu então a Coluna do Andrei, que falava sobre qualquer coisa. Sempre seguida de músicas que eu sugeria, tentando estabelecer conexão com o tema tratado.
O Tomarock, mesmo com todo o nosso amadorismo, tinha a melhor vinheta de programa de rádio de que tenho lembrança. A música Never Look Back, do Blues Saraceno (que nos metíamos em nem-tão-determinado ponto gritando " aeeeee tomaroqueeee!!") foi uma escolha cirúrgica do Renan. O roteiro, quando havia, era escrito em uma folha de caderno, com uma das letras menos legíveis que conheço, que é a do Juliano, contendo quatro ou cinco tópicos que poderíamos abordar ou não. A cerveja geralmente era presente do bar mais próximo, que recebia os devidos comentários elogiosos, numa espécie de permuta informal infalível.
Éramos a resistência roqueira caída de paraquedas em uma rádio dominada pela música gaúcha tradicionalista. Nossa divulgação consistia em um único cartaz, fixado em um posto em frente à sede da rádio. "O programa que não deixa seus ouvidos adoecerem" parecia um slogan apropriado. Nosso acervo eram os CDs que cada um tinha em casa, e a cada segunda carregava para o estúdio, misturando tudo em poucas pilhas bagunçadas.
Tínhamos sérios problemas com as ligações a cobrar, que se repetiam à exaustão sempre que queríamos colocar um ouvinte no ar. O estúdio era sempre uma festa, onde todos eram bem-vindos e convidados a participar, e até os mais tímidos eram convocados a dizer apenas um "olá, ouvintes" no microfone. E se alguma ouvinte ligava com uma voz aveludada, o flerte coletivo rolava na hora. Tenho saudade daquela época, amigos.
Que grande balaio de lembranças soltas restou daquele período que logo precisou ser interrompido, como tende a acontecer com quase tudo o que fazemos por hobby. Mas as marcas do Tomarock ainda carrego comigo. E não só na memória, mas também no currículo, onde a experiência profissional malandra e orgulhosamente começa assim: “2005 – Locução em rádio comunitária”. Não poderia ter sido melhor.