segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Lembrar, viver, imaginar

Cabe à memória torna melhor tudo o que vivemos. Não sou eu quem afirma isso. Alguém já disse e eu já ouvi, ou li por aí. Apenas concordo. É uma romântica, a memória, e isso digo eu.

Também a imaginação, ligada intimamente a tudo que lembramos, busca tornar tudo um pouco melhor. Principalmente o que está ausente, pois, de tudo que se faz ausente, só contamos com memória e imaginação para reviver.

Pessoas ausentes são melhores do que presentes, graças à memória ou a imaginação? Se nossa vida um dia já foi melhor, culpa do presente ou da memória, que disfarça aquilo que não era tão bom assim?

O famoso refrão diz que recordar é viver. Por isso gosto de recordar. Para viver melhor. E com algum romantismo.

As pessoas que têm tempo para morrer em paz têm em seus últimos dias momentos de grande felicidade. Pois, com a consciência evanescendo, tudo é imaginação misturada com memória. Uma festa.

É à memória de tempos melhores e à imaginação de um futuro igualmente compensador que recorremos sempre que o presente nos tortura.

Lembrar e imaginar. O que de melhor podemos fazer além de viver.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Natal e Ano Novo

Não sei aí, mas aqui já sinto o clima natalino Como eu gosto do Natal. Ao mesmo tempo em que o Ano Novo não me diz quase nada, o Natal me diz muito. Gosto até das músicas, e até quando cantadas por corais infantis desafinados. Gosto dos papais-noéis que cantam roboticamente nas portas das lojas, em vários idiomas.

O Natal é tão legal que não deveria ser no verão, a menos apropriada das estações para momentos reflexivos. Natal é festejar e refletir na mesma medida. Não deveríamos ser privado da neve que cai no Natal, como nos filmes, por exemplo, que me dão tanta inveja.

Gosto de distribuir simpáticos votos de Feliz Natal, desde os dias que antecedem as comemorações. Principalmente para aqueles que nem conheço, como a atendente do supermercado, o garçom, o motorista do ônibus.

Não sei dizer o porquê de ser tão indiferente às comemorações pela virada de ano. Na organização das escalas de folga nestas duas datas, provavelmente fui dos primeiros a pedir para folgar no Natal. Dei sorte de ter uma colega que pensa exatamente o contrário, e que faz questão de folgar no último dia do ano. Não poderia dar mais certo.

Sobre isso tudo, acho que ainda vale para este ano o que escrevi mais ou menos nessa época, há um ano, em outro espaço: O último dia do ano tem sempre cara de domingo, pois não sai da minha cabeça que o ano que vem será uma grande segunda-feira.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Pedras nos rins

O jornalista e escritor Gay Talese, que sabe tudo de ambos os ofícios, diz que escreve com a facilidade com que um paciente expele uma pedra no rim. Me identifiquei com essa frase assim que a li. Também sofro para escrever, e, até então, sempre achava o trabalho de parto a melhor figura para ilustrar esse sofrimento. Mas expelir uma pedra no rim deve ser, realmente, um trabalho árduo.

E foi com essas complicações todas que, na madrugada de ontem, após um longo papo futebolístico via twitter com o amigo Pedro Ivo, consegui escrever e liberar esta matéria que segue abaixo. É um perfil da Garota Verão de Bento Gonçalves, feito para o clicBento, mas que acho bacana publicar aqui, assim como outras reportagens que fiz ao longo dessa vida, que me são tão ou mais caras do que as crônicas mais bem aceitas pelos amigos leitores.


1,67m, manequim 34 e simpatia 10


Segunda-feira, 22 de novembro, foi o dia em que Juli Vargas Pegoraro, viveu momentos de celebridade na escola Mestre Santa Bárbara, no bairro Humaitá. Graças à diretora, que, pelo sistema de alto-falantes, espalhou pelos corredores a notícia de que a menina era a nova Garota Verão de Bento Gonçalves.

Na mesma hora, os cumprimentos, que até então vinham dos amigos e da família, passaram a vir também daqueles que ela mal conhecia. É o que esta tímida e simpática moreninha de 15 anos, vencedora do concurso da última sexta-feira, define apenas como algo “um pouco estranho”.

Acompanhada da mãe, Cleonice, em visita à sucursal da RBS na tarde do dia em que se tornou a mais conhecida aluna do colégio, Juli contou que a ideia de concorrer veio durante uma aula de química, em que a organização do Garota Verão esteve divulgando evento nas salas de aula.

- Nunca tinha pensado nisso, sequer tinha desfilado algum dia na vida. Mas minhas colegas deram a idéia e insistiram tanto, até que eu topei participar.– conta.


Cursando o 1º ano do Ensino Médio, Juli vive a expectativa de começar em seu primeiro emprego, na área de recursos humanos de uma fábrica de móveis de Bento. Do futuro, já sabe o que quer: ser arquiteta. Isso porque adora desenhar, desde pequena. Outro sonho é morar no exterior, a exemplo da irmã mais velha, Danúbia, 26, que há cinco anos vive nos Estados Unidos. Mas s caçula prefere Londres.

Falando em preferências, ela adora escrever. Tem um blog, no qual escreve sobre tudo, desde música e moda, até frases e textos mais pessoais. Gosta de todo tipo de música, e está aprendendo a tocar violão. Curte literatura, e, quando é pra responder sobre seu livro preferido, na mesma hora cita A Arte de Correr na Chuva, de Garth Stein.

Nos próximos meses, a menina de 1,67m e manequim 34 estará vivendo a expectativa de participar da etapa regional do Garota Verão, que será em fevereiro de 2011, em Antônio Prado. Se tudo der certo, o próximo passo é a final estadual, em Capão da Canoa.

Para fevereiro, a torcida deve ser ainda maior do que a que levou o prêmio de mais animada na noite da primeira conquista.

- Convidamos só umas 15 pessoas, na hora apareceram outras 15, talvez mais, a maioria amigos de amigos entusiasmados – conta a mãe, torcedora número 1, que delegou a chefia da torcida à filha Bruna, 22.

Como se vê, a família está unida, torcendo muito para que Juli sinta novamente a sensação “inexplicável”, segundo ela, de ter seu nome anunciado como escolhida pelos jurados. A faixa que decorou o salão do clube Botafogo no dia do concurso, agora enfeita a sala dos Pegoraro. Certamente, também à espera de novas comemorações.

domingo, 21 de novembro de 2010

Dica

Convido os amigos leitores a prestigiar uma idéia bacana deste blogueiro. No clicBento, uma série de matérias vai falar da vida do pessoal que saiu da cidade pra se aventurar no exterior.

São entrevistas legais, que resultam em matérias divertidas de escrever e, acredito, boas de ler. A primeira história é da Bruna Fiorentin, que, desde junho, está morando e estudando na França.

Cliquem aqui pra ler: A vida de uma bento-parisiense

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Para escrever bem

É preciso escrever muito para escrever bem. Exige-se passar um bom tempo escrevendo mal, sem nunca desistir, para dar à luz bons textos. Começa-se sofrivelmente, mas aos poucos, as ideias vão encontrando as frases certas que melhor poderão expressá-las.

Só com o tempo e muitas páginas escritas surge aquilo que é importante para quem escreve: o estilo. Um escritor com estilo vale muito mais que o mais erudito. Quem quer escrever deve buscar sempre o estilo, muito mais do que a erudição e o refinamento. Como alguém que nutre certa afeição pela escrita – ainda que longe de ser escritor - posso dizer que é sempre isso que persigo: o estilo.

Todos que gostam de escrever devem sentir um misto de orgulho e vergonha por seus primeiros escritos. A cada vez que deparamos com eles, tratamos de torná-lo um segredo mais profundo, quanto mais o tempo passa.

Não lembro exatamente quando e porque comecei a escrever. Mas comecei com letras de música, depois preenchi um ou dois cadernos com poesias e ensaiei um romance, até chegar à crônica, que hoje é o que mais gosto de fazer, além de reportagens. Até alguns minicontos integram meu espólio textual.

Minha primeira crônica repousa na minha memória como uma ilha, sem nenhum vínculo aparente com qualquer outro acontecimento. Mas é um texto bacana, que ainda hoje me agrada , ao contrário de toda a “obra” como letrista e poeta, que, naturalmente, achava fantástica quando escrevia, mas hoje vejo o tamanho do equívoco que seria tê-la inscrito naquele tempo em qualquer premiação musical ou literária. Porque, como depois descobri, ainda não tinha escrito o bastante. E ainda não sei se escrevi. Mas hei de escrever.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

As 10 do Pearl Jam

Das 10,4 horas divididas em 161 músicas que tenho do Pearl Jam no computador, fazer uma lista poderia ser muito difícil. Ou muito fácil, como, de fato, foi. São essas e ponto. E, como em toda boa lsita, essa vale principalmente pelas que ficam de fora, pois cada um tem suas preferidas, tem aquelas que não gosta. Confiram aí:


Off He Goes
A letra é bonita, assim como a introdução, da mesma forma que a linha vocal. A versão do Live On Two Legs é a melhor. Sempre me emociona de alguma forma, por um pouco de tudo isso que ela tem. Está no mediano álbum No Code.
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Can’t Keep
A melhor do pouco inspirado (opinião, amigos) álbum Riot Act. Mas, ao lado de I Am Mine, faz com que valha a pena tê-lo na prateleira, ou no HD. Aliás, posso ser um pouco radical, mas é a última música lançada pelo Pearl Jam que eu realmente curti. Os álbuns seguintes, Pearl Jam (2006) e Backspacer (2009), decepcionaram totalmente esse fã.
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Even Flow
Porque não dá para fugir dos clássicos. Gostar do Pearl Jam é gostar de Even Flow, Alive, Black, Jeremy, Daughter, até enjoar de todas elas e partir para novas descobertas.
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Nothing as it seems
Era a música preferida de uma ex-namorada, lá pelos idos de 2004. Coincidentemente, era a música do Pearl Jam que eu sabia tocar no violão. E foi por isso que nos conhecemos. Olha que história legal.
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Animal
Introdução nervosa, como o verdadeiro animal sugerido pelo título da música. No show em POA, em 2005, foi a 3ª do setlist. E a primeira que eu reconheci e vibrei. Também por isso, marcou bastante. Está num dos melhores álbuns da banda, que é o Vs.
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Corduroy
É das mais empolgantes, e ser empolgante conta muito. A melhor versão também está no Live On Two Legs. Está no Vitalogy, álbum que não é dos mais conceituados, mas que também tem Better Man e Immortality, que são ótimas.
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Low Light
Baladinha acústica muito legal do Yield. Até eu sei tocar no violão, porque é bem simples. Refrão bem arrastado, bom de cantar. Uma das minhas preferidas não só da banda, mas dessas dez que estão na lista.
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Blood
Uma das mais pesadas, considerando que Pearl Jam não é, exatamente, uma banda de sons pesados. Riff bem sujo, vocal rasgado, bateria pegada. Legal o Eddie Vedder berrando “Here’s my blood” várias vezes. Também está no Vs.
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Porch
É do primeiro álbum, Ten, e não chegou a virar um clássico da banda, ao contrário de quase todas as outras. Mas é muito legal, apesar de arrastar um pouquinho lá pelos idos de um minuto e meio, na hora do solo. Mas nada que comprometa.
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Given To Fly
Acho que esta música do Yield é a que mais ouvi até hoje do Pearl Jam. Viciado, mesmo. Exerce algum efeito psicológico, me deixa mais animado, mais ou menos como “Going Up The Country, do Canned Heat (sem comparar as músicas, só o efeito). É terapêutica, tem que ouvir sempre.
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domingo, 7 de novembro de 2010

Um brinde, presidente

Um dos princípios que a faculdade de Jornalismo tenta ensinar é sempre evitar a tietagem. Pois o profissionalismo exige distanciamento entre o jornalista e sua fonte. Mas nem todos aprendem. Eu, por exemplo, não deixo passar a oportunidade de tirar uma foto, bater um papo com alguém que admiro. Como o presidente eleito do Grêmio, Paulo Odone, por exemplo, que encontrei em uma festa em Bento na última sexta-feira.

Simpático e com boas doses de espumante no sangue, o presidente dançava animado com sua esposa ao som dos Golden Boys, quando o blogueiro aqui chegou, também com boa taxa de álcool no sangue, propondo um brinde ao Grêmio de Renato Gaúcho (também uma provocação, pois não é certo que a gestão de Odone vá manter o atual treinador no cargo). Solícitos, o comandante maior da Batalha dos Aflitos e sua esposa não só aceitaram o brinde como também a senhora Odone tirou essa foto que ilustra a postagem.

Por alguns minutos, vi minha credibilidade jornalística ir pelo ralo. Mas nada que uma boa dose a mais não fizesse esquecer. Tudo para desejar um bom ano de 2011 ao tricolor.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Eis o verão

Não adianta. O verão me tira toda a inspiração. Formalmente, ainda deve ser primavera, mas não adianta: esquentou, pra mim é verão.

Meu cérebro não funciona sob o forte calor desta estação. Cada linha requer um desgastante trabalho de parto para sair da cabeça para o computador.

O verão desfavorece a contemplação da vida, principal matéria-prima das minhas crônicas.

Reconheço as coisas boas no verão: cervejas congelando, vestidos esvoaçantes, noites de passear pela rua. Mas paro por aí. Todo o resto é sofrimento, no verão.

E difícil ser feliz nesta estação que ainda nem começou.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Insônia

Tenho minhas noites de insônia. Muitas, até. Mas não diria que sofro de insônia, pois, embora suas consequências atrapalhem um pouco o meu dia seguinte, ela me rende momentos muito produtivos, em que muitas das coisas que o dia obscurece, curiosamente,de noite se esclarecem.

Bons textos meus são frutos de noites insones. Forjados no celular, em folhas de cadernos antigos ou até no verso de documentos importantes.

Também tomo decisões importantes enquanto o sono nãose apresenta. Geralmente esqueço delas no dia seguinte, mas ainda assim, são importantes, definitivas, dou novos rumos para minha vida esperando pelo sono. E quando ele vem, leva embora.

Vejo o filme da minha vida quase todas as noites. E sempre parece um filme novo, por mais que se repita.

Não sei vocês, mas a euforia me deixa mais insone que a depressão. Quando estou triste, durmo fácil. Não me empolgo para fazer planos, lembrar bons momentos, tomar decisões, nem escrever. Se estou feliz, fico inquieto, de mente (sem trocadilhos) e corpo. E então,custo a dormir.

Dormir é bom. E com preliminares é ainda melhor.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Pequenas exigências

Costumo dizer que tudo o que exijo de uma cidade são um ou dois bons bares e uma ou duas boas padarias. Não mais do que isso. Sou pouco exigente. Também não morei em muitas cidades, apenas três – São Chico, São Leopoldo e Bento -, e, no que diz respeito a estas questões, tenho pouco do me queixar. Sempre tive um bar pra socializar, uma padaria para me encher de doces.

Mas há dias venho pensando que vale acrescentar aí uma última exigência, que até agora só Bento conseguiu cumprir: um bom espaço para a vida cultural da cidade acontecer. Nada demais, nada muito grande e complexo, nada muito caro.

Queria que em todo lugar tivesse um espaço onde, pelo menos, o grupo de teatro pudesse ensaiar, as bandas, tocar, onde professores de arte pudessem dar suas aulas, fotógrafos e pintores organizassem exposições, e, eventualmente, ocorresse por lá eventos como feira do livro, oficinas diversas, palestras, coisas assim...não ia ser bacana? E não me parece tão difícil assim. Teria o tamanho que cada cidade comportasse.

Em menos de dois meses que estou por aqui, já vi coisas muito bacanas na Casa das Artes - fundação ligada à Secretaria de Cultura de Bento - e de diversas áreas: shows musicais grandes, médios e pequenos, lançamentos de livros, exposições de fotos, oficinas de todos os instrumentos possíveis (na Semana da Música), apresentação de orquestra, exibições de filmes, e olha que saio pouco de casa.

Difícil aplicar tudo isso a outra cidade, pois é fato que até uma Secretaria de Cultura não é algo comum (já testemunhei a tentativa de criação de uma, que não foi nada bem sucedida). Geralmente, é uma secretaria que vem associada a uma infinidade de outros nomes: “Secretaria da Educação, Cultura, Desporto e Lazer”, por exemplo. Isso sufoca e inibe a cultura, só pode ser ruim. Talvez o primeiro passo esteja justamente aí: em cada município, dar à cultura um nome próprio. E depois um local.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

clicBento já está no ar!

Provando que este jornalista não vive apenas de escrever para o seu blog, compartilho com os amigos leitores minha nova empreitada (que já anuncio aqui há tempos), que é o clicRBS Bento Gonçalves: http://www.clicrbsbentogoncalves.com.br

Acessem, leiam, saibam o que que rola nesta cidade tão bacana onde passo parte dos meus 20 e poucos anos. Bom fim de semana a todos!


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Minha maior sorte

Dia desses, conversando com um amigo (já notaram que sempre começo assim?), contava a ele sobre tudo o que costumava fazer quando ia para casa (São Chico). Principalmente a rotina de encontrar velhos conhecidos, matar a saudade, essas coisas que pra mim são tão comuns. Foi quando, em notável tom de lamento, ele disse que me invejava, pois essa era uma experiência que fazia muita falta em sua vida: a de ter amigos de infância. Não um ou dois, que até os tinha, mas vários, uma turma. Como o blogueiro aqui tem.

Atribuiu a isso o fato de ter nascido e se criado na cidade grande, onde os vínculos são mais difíceis de serem mantidos. Dizia que aqueles nascidos e se criados em capitais geralmente perdem algo importante, esse relação fácil e quase inevitável com os amigos de infância. Por vários motivos: ou moram longe, ou mudam de escola com maior freqüência, ou se afastam depois de crescidos. E eu ainda complementei dizendo que, no interior, até se afastar é difícil, pois estamos sempre esbarrando nos velhos conhecidos, querendo ou não.

Vivi exatos 87% da minha vida na minha cidade natal e querida, de 20 mil habitantes. E desde que saí, não passei mais do que um mês sem visitar o que deixei por lá: mãe, família, amigos, meus gatos, até lugares queridos. São partes de mim, da mesma forma que acredito ser parte deles. São aquilo com que me importo, minha preocupação frequente, onde sei que posso sempre buscar um pouco mais de felicidade.

Não digo que lá é que fui mais feliz, que pra lá quero voltar a viver, que estou triste aqui. Algumas coisas daqui de fora não existem lá, e são importantes também. A felicidade está sempre nas medidas certas, também entre a saudade e o reencontro. Só digo que não vivo sem essas ligações.

Sei que posso estar enganado e vir a receber muitos exemplos contrários. O orgulho de ser provinciano pode fazer com que eu ache meus Campos de Cima da Serra melhor em tudo. Mas tão logo ouvi aquela confissão de meu amigo, meu ego inflou de felicidade, porque ia de encontro com algo que sempre pensei. Essa incomparável sorte de pertencer a uma pequena comunidade. E não vejo como trocaria isso por qualquer outra coisa na vida.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Um reencontro emocionante

Não sei se os amigos leitores já ficaram sabendo, mas, de qualquer forma, vale muito registrar por aqui o inesperado reencontro entre Axl Rose e o ex-baixista do Guns N' Roses Duff McKagan, na última quinta-feira, em Londres. O local foi a O2 Arena, curiosamente, o mesmo que marcou o reencontro do Led Zeppelin, em 2007.

Para mim, só assistir pelo Youtube já foi emocionante. Sei que não sou o único por aqui que curte a banda, e, consequentemente, não o único a querer vê-los juntos novamente. Pena que, principalmente pelas brigas entre Axl e Slash, parece quase impossível. Mas para os fãs, imaginar, por si só, já vale a pena.

sábado, 16 de outubro de 2010

Meus livros preferidos

9º – A sangue frio, de Truman Capote

O chamado “jornalismo literário” é a minha literatura preferida. E talvez o horizonte do jornalismo que mais tenha me prendido à profissão (e se eu um dia voltar aos bancos universitários, provavelmente será para uma especialização nesta área). É o gênero que, entre outras coisas, abraça o chamado livro-reportagem e/ou romance de não-ficção. É a reportagem feita com elementos da literatura, ou a literatura feita em cima de uma investigação jornalística.

São histórias que, por diversos motivos, não cabem nas páginas de um jornal ou uma revista (principalmente pro serem boas demais para cair no ostracismo no dia seguinte). E quando o escritor é bom, geralmente supera qualquer obra de ficção.

No Brasil, os livros do Caco Barcellos (Rota 66 e Abusado) são bons exemplos desse gênero. No mundo, um dos grandes momentos, sem dúvidas, é a publicação de A Sangue Frio (surpreendentemente boa tradução do título original In Cold Blood), do norte-americano Truman Capote.

Muitos escritores consagrados, dos melhores mesmo, já beberam da fonte do jornalismo literário, a maioria por ter começado a carreira como jornalista. Gabriel García Márquez (Notícia de um sequestro, Relato de um náufrago, etc), Norman Mailer (A Luta), Graciliano Ramos (Os sertões), entre outros.

Em A Sangue Frio, o grande barato foi Capote ter conseguido fazer a maior tempestade de um aparente copo d’água. A partir de uma pequena notícia de canto de página de um jornal – sobre uma família assassinada friamente em uma vila americana – ampliou o assunto até construir uma das maiores reportagens da história - provavelmente a mais bem escrita, pela qualidade do seu texto. E abriu caminhos para que outros autores fizessem o mesmo. Buscassem no aparentemente banal, histórias extraordinárias.

A Sangue Frio é de tirar o fôlego. É daqueles de ler sem parar (poucos livros são capazes de me fazer ler compulsivamente), principalmente pelo ritmo que Capote imprime à angustiante narrativa, seja quando escreve pela perspectiva dos assassinos em fuga, seja quando assume o ponto de vista dos policiais, e, principalmente, quando reconstitui o momento do assassinato dos cinco membros da família Clutter.

Não é um livro bom apenas por este ponde-de-vista jornalístico. É tão bom quanto os melhores romances policiais. E absurdamente real.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Enquete nova chegando

Aproveitando a inquietação manifestada no Twitter pela amiga Camila Dalzoto (@kkdalzoto), trouxe pra o Blog, em forma de enquete, a polêmica questão: o que fazer, viver ou juntar dinheiro?

No próprio twitter, já manifestei meu voto: juntar dinheiro vivendo. Ou seja, voto nulo...

Votem aí!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Eu, um viking

Em breve, terei uma boa explicação para a foto abaixo.

Bom fim de semana aos amigos leitores.


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Meus 10 livros preferidos

10º - Trilogia Suja de Havana, de Pedro Juan Gutiérrez


Dos autores que compõem a lista dos livros que mais me marcaram até aqui, 24º ano de vida deste blogueiro,o cubano Pedro Juan Gutiérrez talvez seja o menos consagrado, o menos “de domínio público”. Só é conhecido por quem já o leu, ao contrário de um Gabriel García Márquez, ou um Truman Capote, por exemplo, que são ícones que transcendem seu universo de leitores. Não que seja uma raridade, só não é dos mais populares. Nem poderia ser.

Trilogia Suja de Havana foi o primeiro livro do PJG que li, e acredito que tenha escolhido pela capa, pelo nome, não lembro. A primeira impressão que tive, foi a de estar lendo uma versão latinoamericana de Charles Bukowski, um dos meus autores preferidos, que também trata de temas sórdidos, que vão de bebedeiras infernais ao cara trabalhar recolhendo defuntos na rua.

Não vou resenhar o livro, principalmente por não saber fazer isso. Assim como não sei contar porque acho um filme bom ou ruim, E também porque uma boa resenha dá pra achar por aí, como nesse blog aqui. Falando mais sobre o que fez com que eu gostasse tanto de Trilogia, acho que foi a forma como todo o drama narrado por Gutierrez faz qualquer vida mediana parecer feliz. Ou melhor, faz com que consigamos reconhecer a felicidade latente. Juro que, muitas vezes melhorei meu astral só pensando que tudo poderia ser pior, como o autor me mostrou narrando suas experiências enquanto um desempregado já muito além da falência e da perda daquilo que consideramos dignidade.

Escrevendo sobre o submundo da violência, do tráfico, das doenças, das privações, PJG mostra que até o tédio já é uma felicidade. E como não é raro estarmos entediados, achando tudo um saco, e aí que a obra do cubano, em especial Trilogia, ajuda a viver.

Passagens:
"Sexo não é para gente escrupulosa. Sexo é um intercâmbio de líquidos, de fluidos, de saliva, hálito e cheiros fortes, urina, sêmen, merda, suor, micróbios, bactérias. Ou não é. Se é só ternura e espiritualidade etérea, reduz-se a uma paródia do que poderia ser. Nada" (essa é de uma entrevista do autor e está na contracapa do livro, não da obra em si)


"Aí me ocorreu fazer aquilo que eu gosto sempre: entrar nela por trás e, de pé, fazer com que ela se dobrasse da cintura pra cima. Mas quando ela fez o que eu pedi, suas nádegas se abriram e do cu saiu um grande fedor de merda fresca. Tinha cagado. Sou porco, mas nem tanto. Aquilo me baixou o pau e me deu uma fúria terrível. Num segundo, fui invadido pelo ódio:
- você está cagada, está com a bunda fedendo a merda!
- eu?
- Caralho, você cagou. É uma porca.
- Mais porco é você! Com esse pau fedido, e eu chupei.
- Não é a mesma coisa.
- É igual!
- Você é uma porca ocm esse cu cagado.
- E você é muito fino. Até murchar esse pau. Você nasceu no meio da merda, não se faça de fino.
- Mas não tenho o cu cagado." (Pág.223. Literatura também é isso.)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O incrível caso do sumiço dos atacantes

Alguém lembra o último atacante – atacante mesmo – formado nas categorias de base do Grêmio? Há tempos esta questão me incomoda: o clube revela ótimos meiocampistas (Lucas, Anderson, Carlos Eduardo, Rafael Carioca, Douglas Costa), mas é incapaz de formar um goleador, um atacante de definição, aquele que livraria a direção de investir o que tem e o que não tem para ter um atacante à altura do clube.

Repassando de memória os últimos planteis do Grêmio ano a ano, vejo que, com boa vontade, dá pra considerar Cláudio Pitbull a última revelação tricolor com alguma vocação ofensiva. No ano do rebaixamento, 2004, foi ele um dos únicos a arrancar alguns aplausos da torcida, pelos gols que fazia.

Antes mesmo do Pitbull, não tivemos nada muito animador. Vá lá, consideremos Ronaldinho um atacante, só pra não ficar tão feio e eu não ter que ir mais longe ainda nessa busca. E pós 2004, lembro apenas de jogadores medianos como o rápido Marcelinho (hoje no Avaí) e o Everton (que passou pelo Inter e agora está no Bahia). E creio que até chegarmos a Bergson, em 2010, era isso, não?

Lembro que tínhamos até uma grande promessa, o Fernando Genro, neto do governador eleito e filho da Luciana, goleador na adolescência, mas que, até onde eu sei, já desistiu do futebol. Outro candidato a novo Jonas, o Rafael Martins, que empilhava gol nas jovens defesas adversárias, também não deu em nada. Para 2011 também não se fala em ninguém, e olha que os jornalistas esportivos adoram dar uma de olheiros.

Menos mal que nesses anos todos bons atacantes têm sido contratados, como o Rômulo, em 2006, o Maxi López, em 2009, e até o Jonas, entre idas e vindas. Mas quando o Grêmio terá, enfim, um atacante para chamar de seu?

sábado, 2 de outubro de 2010

As roupas caseiras

Abençoadas sejam as roupas de ficar em casa. Estas que convivem com a nossa preguiça, com a nossa moleza pós-expediente, com a nossa ressaca de fim de semana.

Louvado seja o casaquinho do avô, a calça do colégio, a camiseta da turma - que pode ser 81, 82, 301, 303, formandos de 2000, 2001, 2003. Camisetas que insistem em encolher, nunca somos nós que engordamos.

Gosto de blusas com cheiro de mãe; Camisetas com mancha de café; Calça com bolso furado; Bermuda que não fecha na cintura; Moletons que perderam a cor.

Minhas roupas de casa tendem a ser cinzas. Agora mesmo, estou de cinza. Cinza-doméstico daria um bom nome de cor.

As vestimentas caseiras, ao contrário de nós, gostam de domingo. Costuma ser o dia em que elas finalmente vêem a luz quase ao ponto de cegá-las, em contraste com a escuridão do guarda-roupa e o sufocamento pela pilha de roupas que a esmagam, já que elas estão lá embaixo.

De tanto conviver com chinelos, pantufas e meias, as roupas caseiras têm vaga lembrança de tênis ou sapatos. Não gostam de bebida, preferem televisão. Não têm amigos, preferem ficar na frente do computador. Não gostam de sair, preferem o aconchego do lar, junto do dono.

São roupas de estimação.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Algumas linhas sobre Tom Zé

Sou fã do Tom Zé. Mais até do personagem do que do músico, embora também goste do som e das letras impossíveis que o baiano cria. Unindo trabalho e diversão (o que não é sempre que dá pra fazer, como prova matéria com o Fiuk dias atrás), depois do show de ontem escrevi um relato que o Pioneiro aproveitou em seu site. Ei-lo:

“Se o Rio Grande do Sul um dia se separar do Brasil, eu exijo meu passaporte”. Foi com frases como essa que o cantor e compositor Tom Zé ganhou a plateia da Casa das Artes, ontem à noite, no encerramento da II Semana da Música de Bento Gonçalves.

Não que essa seja uma tarefa difícil para este baiano com 50 anos de carreira e mais de 20 álbuns lançados. Em quase duas horas de show, Tom Zé dividiu o tempo entre conversas com o público, - sobre temas que vão da religião ao processo criativo do artista - interações com os integrantes da banda que o acompanha e, claro, os experimentos em cima de sua música.

Após a abertura com 2001 (parceria com Rita Lee), o repertório foi basicamente o mesmo que compõe o álbum ao vivo Pirulito da Ciência, o mais recente do artista que no próximo dia 11 completa 74 anos de idade.

Ora empolgando com a pegada da banda, ora pedindo para que o volume fosse diminuído para que seus discursos, às vezes tão aplaudidos quanto as próprias músicas, fossem melhor ouvidos, Fliperama, Ui! Você inventa, Companheiro Bush e Heim? foram algumas das canções que mais agradaram as mais de 600 pessoas presentes na platéia.

Após o animado forró que marcou o bis, com o espaço entre as primeiras cadeiras e o palco transformado em pista de dança, Tom Zé autografou CD’s e DVD’s no saguão da Casa das Artes, adornado por uma série de caricaturas do protagonista da noite feitas por diferentes cartunistas brasileiros.


Em cinco dias, a II Semana da Música contou com mais de 20 oficinas de diversos instrumentos musicais e shows de artistas locais, regionais e nacionais. O bastante para o baiano dizer: “Na minha Irará não tem essas coisas”.